As crises,
que envolvem taquicardia, medo e a sensação de morte, são consequências da
síndrome do pânico e acomete mais mulheres.
O Blog Vivendo e...Experiências! entrou em contato
com o psicólogo especialista em Psicologia Clínica – Terapia
Cognitivo-comportamental para falar sobre um transtorno que vem atingindo
diversas pessoas pelo Brasil, a síndrome do pânico. Uma doença que causa dores
físicas e a mente também é afetada por crises de ansiedade, medo e outros
sintomas.
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| Dr. Angelo Faleiro, psicólogo. Foto: Arquivo Pessoal |
A doença é mais acometida por mulheres. Fiquem
atentos e se sentirem algo semelhante devem procurar orientação médica, para
entender e saber lidar com a doença.
Entrevista
com o psicólogo Dr. Angelo Faleiro.
Quais
os sintomas que o transtorno do pânico provoca?
A
transtorno do pânico pânico costuma se apresentar como episódios, comumente
chamados de ataques de pânico, em que a pessoa sente uma forte sensação de medo
ou mal-estar intenso. No episódio, há aspectos físicos e mentais relacionados.
Os pacientes costumam experimentar dores no peito, aceleração nos batimentos
cardíacos, dormência nas extremidades ou partes do corpo e falta de ar. Por
causa desses sintomas físicos, a mente da pessoa pode ser tomada por
pensamentos relacionadas a ansiedade, perigo, medo, descontrole ou morte. Cada
episódio costuma durar até 10 minutos. A pessoa portadora do transtorno do
pânico pode experimentar vários episódios de pânico em intervalos de tempo
variados.
Muitos
acham que realmente vão morrer, não é?
A sensação da iminência da morte é causada
pelos sintomas físicos presentes nos episódios de transtorno de pânico. Imagine
que você sinta seu coração batendo muito rapidamente. Então, a respiração
começa a acelerar e torna-se difícil. Isso, por si só, já gera ansiedade nas
pessoas. Agora, imagine isto acontecendo sem um aviso prévio. É normal as
pessoas em ataque de pânico terem a sensação de que irão morrer.
Quais
são as causas mais frequentes para as crises de pânico?
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| Foto Divulgação |
O transtorno do pânico aparece, geralmente,
no final da adolescência e início da vida adulta. Entretanto, até o presente
momento, não existem estudos que possam dizer as causas exatas do transtorno. O
que se sabe é que fatores genéticos e ambientais influenciam o desenvolvimento
deste problema de saúde. Dentre os fatores genéticos, sabemos que pessoas com
familiares de primeiro grau que tenham o transtorno têm oito vezes mais chances
de desenvolvê-lo. Em relação aos fatores ambientais, eventos estressantes, como
a morte de pessoas próximas, as crises financeiras graves ou o divórcio, estão
associados ao surgimento do transtorno de pânico. Para se ter ideia,
aproximadamente 80% dos pacientes com o transtorno relatam algum evento
estressor em suas vidas nos doze meses anteriores ao primeiro ataque. Sabemos,
ainda, que pessoas com baixa autoestima, perfeccionistas e inibidas têm mais
chances de sofrer de transtorno de pânico.
Por
que a pessoa pode passar 30 anos sem ter nada e um dia manifestar a síndrome do
pânico?
Segundo algumas teorias psicológicas, todas
as pessoas possuem vulnerabilidades em suas personalidades que as predispõem a
alguns transtornos psicológicos específicos. Isso também ocorre em relação ao
transtorno do pânico. Assim, alguém pode passar vários anos com aquela parte da
personalidade ou com algum componente genético adormecido. Então, ela passa por
um momento de forte crise e isso pode ativar aquela predisposição, produzindo
um ataque de pânico. É importante ressaltar que cada pessoa lida com crises
iguais de maneiras diferentes. Por isso, pessoas submetidas a uma mesma situação
podem reagir de formas diferentes por causa da personalidade, genética,
ambiente em que foi criado etc.
Como
você orienta a pessoa que diz ter crises de pânico em uma determinada situação?
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| Foto Divulgação |
Os ataques de pânico não costumam ser
previsíveis. Essa característica acaba por prejudicar a vida social de quem
sofre com este transtorno. A melhor orientação para alguém que acha que teve um
primeiro ataque deve ser se dirigir imediatamente a um médico para saber se não
existem condições médicas associadas. Os sintomas experimentados num ataque de
pânico são muito similares a alguns problemas de saúde física, tais como
pneumonia e arritmia cardíaca (prejuízo no ritmo dos batimentos do coração),
além de outros. É de vital importância que uma avaliação seja feita por um
médico para excluir outras doenças antes de diagnosticar o transtorno do
pânico.
Como
funciona o tratamento?
O ideal é que o tratamento combine
psicofármacos (remédios) e psicoterapia. Estudos mostram que quando uma pessoa
é tratada com esta combinação, há maiores benefícios. Atualmente, os inibidores
de recaptação de serotonina são a medicação mais usada, a qual,
necessariamente, deve ser prescrita por um médico. Em relação à psicoterapia,
existem algumas modalidades, como a terapia cognitivo-comportamental, que
trabalha com técnicas para diminuir a ansiedade, treino de respiração com o
diafragma, técnicas de relaxamento, resolução de problemas, dentre outras.
O
tratamento deve ser mantido por quanto tempo? Por que pacientes abandonam o
tratamento?
A duração do tratamento varia conforme a
personalidade da pessoa, a existência de outras doenças associadas e se o
paciente é recorrente. Para a grande maioria dos pacientes, o transtorno se
torna crônico, ou seja, a pessoa alterna períodos sem ataques com outros em que
experimenta vários. É muito importante ressaltar que muitas recaídas são
causadas pela decisão própria da pessoas de parar com o uso da medicação ou da
psicoterapia. Como é comum em transtornos psicológicos em geral, logo no início
do tratamento há uma melhora significativa nos sintomas. Isso leva os pacientes
a crerem que estão curados e que não precisam mais dos tratamentos. É um engano
que precisa ser evitado. Quando alguém suspende a medicação ou a psicoterapia
por conta própria e tem uma recaída, as chances de piora de sua condição
aumentam consideravelmente. Muitas vezes, esse desejo de suspender logo a
medicação é causado pelo preconceito que existe em relação aos distúrbios
psicológicos como um todo. Então, as pessoas não querem que seus amigos ou
familiares saibam que eles estão tomando medicação ou indo ao psicólogo ou
psiquiatra. Nossa sociedade precisa mudar esta concepção. Ninguém tem vergonha
de dizer que está tomando uma medicação para hipertensão ou diabetes. Por que
deveríamos ficar receosos em relação aos transtornos psicológicos? Eles são
problemas de saúde tanto quando as doenças físicas.
Como
a família deve portar-se diante de um portador da síndrome do pânico?
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| Foto Divulgação |
A família deve servir como uma rede de apoio para
qualquer problema que temos, independentemente de ser um distúrbio. No caso do
transtorno de pânico, não deve ser diferente. Os familiares e amigos mais
próximos devem entender que não se trata de uma fraqueza ou falha de caráter –
é um problema de saúde. Além disso, eles devem estar dispor a colaborarem
envolvendo-se no tratamento para que possam aprender a ajudar o paciente em
situações de possíveis ataques de pânico.
Angelo Faleiro
CRP 17.800/01
Psicólogo com especialização em Psicologia Clínica – Terapia Cognitivo-comportamental.
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| Livro Felicidade Roubada, autor Augusto Cury. Foto: Flavia Ferrer |
Um livro bem interessante e que pode ajudar as pessoas a conhecer mais sobre essa doença, se chama Felicidade Roubada, do autor Augusto Cury.
Flavia Ferrer