segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Síndrome do Pânico: não deixe essa doença te roubar o mais valioso, a vida


As crises, que envolvem taquicardia, medo e a sensação de morte, são consequências da síndrome do pânico e acomete mais mulheres.


O Blog Vivendo e...Experiências! entrou em contato com o psicólogo especialista em Psicologia Clínica – Terapia Cognitivo-comportamental para falar sobre um transtorno que vem atingindo diversas pessoas pelo Brasil, a síndrome do pânico. Uma doença que causa dores físicas e a mente também é afetada por crises de ansiedade, medo e outros sintomas.

Dr. Angelo Faleiro,  psicólogo. Foto: Arquivo Pessoal
A doença é mais acometida por mulheres. Fiquem atentos e se sentirem algo semelhante devem procurar orientação médica, para entender e saber lidar com a doença.


Entrevista com o psicólogo Dr. Angelo Faleiro.

Quais os sintomas que o transtorno do pânico provoca?
            A transtorno do pânico pânico costuma se apresentar como episódios, comumente chamados de ataques de pânico, em que a pessoa sente uma forte sensação de medo ou mal-estar intenso. No episódio, há aspectos físicos e mentais relacionados. Os pacientes costumam experimentar dores no peito, aceleração nos batimentos cardíacos, dormência nas extremidades ou partes do corpo e falta de ar. Por causa desses sintomas físicos, a mente da pessoa pode ser tomada por pensamentos relacionadas a ansiedade, perigo, medo, descontrole ou morte. Cada episódio costuma durar até 10 minutos. A pessoa portadora do transtorno do pânico pode experimentar vários episódios de pânico em intervalos de tempo variados.

Muitos acham que realmente vão morrer, não é?
            A sensação da iminência da morte é causada pelos sintomas físicos presentes nos episódios de transtorno de pânico. Imagine que você sinta seu coração batendo muito rapidamente. Então, a respiração começa a acelerar e torna-se difícil. Isso, por si só, já gera ansiedade nas pessoas. Agora, imagine isto acontecendo sem um aviso prévio. É normal as pessoas em ataque de pânico terem a sensação de que irão morrer.

Quais são as causas mais frequentes para as crises de pânico?
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O transtorno do pânico aparece, geralmente, no final da adolescência e início da vida adulta. Entretanto, até o presente momento, não existem estudos que possam dizer as causas exatas do transtorno. O que se sabe é que fatores genéticos e ambientais influenciam o desenvolvimento deste problema de saúde. Dentre os fatores genéticos, sabemos que pessoas com familiares de primeiro grau que tenham o transtorno têm oito vezes mais chances de desenvolvê-lo. Em relação aos fatores ambientais, eventos estressantes, como a morte de pessoas próximas, as crises financeiras graves ou o divórcio, estão associados ao surgimento do transtorno de pânico. Para se ter ideia, aproximadamente 80% dos pacientes com o transtorno relatam algum evento estressor em suas vidas nos doze meses anteriores ao primeiro ataque. Sabemos, ainda, que pessoas com baixa autoestima, perfeccionistas e inibidas têm mais chances de sofrer de transtorno de pânico.

Por que a pessoa pode passar 30 anos sem ter nada e um dia manifestar a síndrome do pânico?
            Segundo algumas teorias psicológicas, todas as pessoas possuem vulnerabilidades em suas personalidades que as predispõem a alguns transtornos psicológicos específicos. Isso também ocorre em relação ao transtorno do pânico. Assim, alguém pode passar vários anos com aquela parte da personalidade ou com algum componente genético adormecido. Então, ela passa por um momento de forte crise e isso pode ativar aquela predisposição, produzindo um ataque de pânico. É importante ressaltar que cada pessoa lida com crises iguais de maneiras diferentes. Por isso, pessoas submetidas a uma mesma situação podem reagir de formas diferentes por causa da personalidade, genética, ambiente em que foi criado etc.

Como você orienta a pessoa que diz ter crises de pânico em uma determinada situação?
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            Os ataques de pânico não costumam ser previsíveis. Essa característica acaba por prejudicar a vida social de quem sofre com este transtorno. A melhor orientação para alguém que acha que teve um primeiro ataque deve ser se dirigir imediatamente a um médico para saber se não existem condições médicas associadas. Os sintomas experimentados num ataque de pânico são muito similares a alguns problemas de saúde física, tais como pneumonia e arritmia cardíaca (prejuízo no ritmo dos batimentos do coração), além de outros. É de vital importância que uma avaliação seja feita por um médico para excluir outras doenças antes de diagnosticar o transtorno do pânico.

Como funciona o tratamento?
            O ideal é que o tratamento combine psicofármacos (remédios) e psicoterapia. Estudos mostram que quando uma pessoa é tratada com esta combinação, há maiores benefícios. Atualmente, os inibidores de recaptação de serotonina são a medicação mais usada, a qual, necessariamente, deve ser prescrita por um médico. Em relação à psicoterapia, existem algumas modalidades, como a terapia cognitivo-comportamental, que trabalha com técnicas para diminuir a ansiedade, treino de respiração com o diafragma, técnicas de relaxamento, resolução de problemas, dentre outras.

O tratamento deve ser mantido por quanto tempo? Por que pacientes abandonam o tratamento?
            A duração do tratamento varia conforme a personalidade da pessoa, a existência de outras doenças associadas e se o paciente é recorrente. Para a grande maioria dos pacientes, o transtorno se torna crônico, ou seja, a pessoa alterna períodos sem ataques com outros em que experimenta vários. É muito importante ressaltar que muitas recaídas são causadas pela decisão própria da pessoas de parar com o uso da medicação ou da psicoterapia. Como é comum em transtornos psicológicos em geral, logo no início do tratamento há uma melhora significativa nos sintomas. Isso leva os pacientes a crerem que estão curados e que não precisam mais dos tratamentos. É um engano que precisa ser evitado. Quando alguém suspende a medicação ou a psicoterapia por conta própria e tem uma recaída, as chances de piora de sua condição aumentam consideravelmente. Muitas vezes, esse desejo de suspender logo a medicação é causado pelo preconceito que existe em relação aos distúrbios psicológicos como um todo. Então, as pessoas não querem que seus amigos ou familiares saibam que eles estão tomando medicação ou indo ao psicólogo ou psiquiatra. Nossa sociedade precisa mudar esta concepção. Ninguém tem vergonha de dizer que está tomando uma medicação para hipertensão ou diabetes. Por que deveríamos ficar receosos em relação aos transtornos psicológicos? Eles são problemas de saúde tanto quando as doenças físicas.

Como a família deve portar-se diante de um portador da síndrome do pânico?
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A família deve servir como uma rede de apoio para qualquer problema que temos, independentemente de ser um distúrbio. No caso do transtorno de pânico, não deve ser diferente. Os familiares e amigos mais próximos devem entender que não se trata de uma fraqueza ou falha de caráter – é um problema de saúde. Além disso, eles devem estar dispor a colaborarem envolvendo-se no tratamento para que possam aprender a ajudar o paciente em situações de possíveis ataques de pânico.

Angelo Faleiro
CRP 17.800/01
Psicólogo com especialização em Psicologia Clínica – Terapia Cognitivo-comportamental.


Livro Felicidade Roubada, autor Augusto Cury. Foto: Flavia Ferrer 
Um livro bem interessante e que pode ajudar as pessoas a conhecer mais sobre essa doença, se chama Felicidade Roubada, do autor Augusto Cury.


Flavia Ferrer

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