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| Foto Divulgação |
Em tempos modernos ainda
tenho que ser surpreendida com notícias de que meninas da África e alguns
países do Oriente Médio são mutiladas sexualmente para que não sintam prazer. Isso mesmo, a mutilação ocorre entre os 10 e 14 anos em
meninas, a mutilação genital é feita a partir da retirada do clitóris. E em
famílias abastadas recorrem a instalações hospitalares para levar as suas
filhas, mas na maioria dos casos e devido à pobreza, são as mulheres mais
velhas das aldeias que fazem os cortes nas garotas, sem anestesia, e utilizando
apenas uma lâmina, uma faca ou qualquer outro objeto cortante. E sem
esterilização de forma arcaica, violenta. Pois, muitas não sabem nem o que está
acontecendo com elas naquele momento.
Recentemente a coluna
FolhaMulher, do jornal Folha de São Paulo divulgou uma matéria em que uma
mulher de 30 anos foi mutilada aos 12 anos em Serra Leoa, na África. Ela foi
submetida ao corte do clitóris feito em uma aldeia da região, a tradição é
antiga por lá e marca a transformação de meninas em mulheres. Essa assustadora
prática ainda deve atingir cerca de 200 milhões de mulheres em 15 anos. Essa
estatística chega a dá medo, credo!
Entenda
o caso: " Era cedo ainda de manhã. Sempre é de manhã, já
que o sol forte pode piorar a hemorragia que viria com o corte. Éramos 12
meninas no porão de uma residência na capital de Serra Leoa. Não sabíamos de
nada, ninguém nos falava porque estávamos ali e muito menos o que iria
acontecer e quando perguntávamos falavam que era uma festa. Eu tinha 12 anos,
mas me lembro desse lugar. Haviam muitas mulheres vestidas e pintadas de
branco. Só mulheres. Parecia mesmo uma festa, com danças e tambores que não
paravam de tocar, depois entendi o porquê.
Minha mãe me mutilou ali,
arrancou com uma lâmina meu clitóris e costurou minha vagina. Assim como
mutilou as outras meninas que me acompanhavam. Ela era a líder de uma sociedade
secreta, em que mulheres mais velhas têm a responsabilidade de preparar meninas
para a idade adulta.
De uma coisa me lembro: De
gritar enquanto era mutilada. E quanto eu mais gritava, mais as mulheres
tocavam os tambores e cantavam. Assim a minha dor era secreta.
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| Foto Folhapress/Marlene Bergamo |
Para cicatrizar o corte,
evitar a hemorragia e infecções elas colocavam uma pasta à base de folhas na minha
vagina.
A tradição tem um ritual
completo. No último dia fomos até um rio que não era tão fundo. As mulheres
mais velhas jogavam objetos na água para que nós pegássemos. Era o final, estávamos
voltando para casa. Eu está vestida com um vestido novo, sapatos bonitos,
colar, brinco e pulseira.Eu estava muito bonita e havia me tornado mulher.
Não tenho raiva, era jovem e
a tradição muito forte. Sinto dor durante o sexo. Até hoje. Se me relaciono com
meu marido em um dia, a próxima vez só será daqui uma ou duas semanas. Tive
problemas no parto de uma das minhas filhas. A primeira gestação não houve
problemas porque ela era pequena, já a segunda era grande e os médicos tiveram
que abrir os cortes para que ela passasse.
Com minha mãe já idosa descobri
que eu deveria ficar no lugar dela na sociedade secreta. Meu futuro era cortar
meninas. Disse não e ela com dedo apontado na minha direção disse: "Se não
fizer isso, eu te mato".
Então decidir fugir com meu
marido para o Brasil, deixei minhas filhas uma de seis e outra de nove com a
minha sogra. consegui proteger elas da mutilação e estão em lugar seguro.
Não quero voltar a África,
amo o Brasil, principalmente as comidas. A única tristeza que sinto é ter
deixado minhas filhas em Serra Leoa. Trazer as duas para morar comigo será um
sonho. Que ainda vou realizar.
Daqui a apouco terei um
menino, estou grávida de seis meses. Quero ensiná-lo a ser homem de verdade",
afirmação de uma africana mutilada.
Essa é uma história real de
uma mulher que sofreu e ainda sofre por ter sido mutilada, até quando mulheres
ainda terão que passar por esse tipo de
tratamento desumanos e serem tratadas como um objeto manipulável. Isso me causa
verdadeira repulsa, meninas nessa idade poderiam estudar, aprender sobre a vida
primeiro e depois decidirem seus destinos. E não como acontece até hoje, as
mães decidirem por elas com quem casar, como serem mulheres para seus maridos,
e em muitos casos mães e pais iniciam a vida sexual de suas filhas com idade de
12 anos, logo após um casamento arranjado como existe em alguns países. É tudo
muito triste e nos mostra que tradições como esta são fortes e acontecem
constantemente em vários lugares no mundo e infelizmente ninguém toma uma
providencia contra os direitos humanos dessas jovens meninas. Tudo isso é inadmissível
e choca por tamanha frieza e insensibilidade!
Fonte: FolhaMulher com
adaptações
Flavia Ferrer


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