quinta-feira, 2 de abril de 2015

Autista: Meu mundo azul

Foto Divulgação

Neste dia 2 de abril é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008. O dia foi idealizado para que milhares de pessoas no Brasil e no mundo se organizem para chamar atenção das autoridades governamentais, da mídia e da população mundial para esse tema que ainda é tão pouco divulgado em nosso cotidiano. A cor escolhida para simbolizar o transtorno é a cor azul devido o número ser maior em meninos.

Em 1990, era um caso para cada 2,5 mil crianças nascidas. Hoje, a estimativa é de uma criança para cada 88 nascidas (números americanos). No Brasil, não há estatística oficial, mas estima-se que existem 2 milhões de autistas no país. Esse distúrbio de desenvolvimento afeta mais meninos do que meninas.  
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A primeira vez que foi descrito foi nos anos de 1940, pelo psiquiatra americano Leo Kanner e pelo pediatra austríaco Hans Asperger. As principais características do autismo, são chamadas de tríade de comprometimento: prejuízos na interação social, no processo de comunicação, na imaginação e presença de comportamentos repetitivos. Essa “tríade” faz com que os autistas geralmente tenham dificuldade em imitar gestos alheios e em entender comandos das pessoas. Eles costumam apresentar também isolamento social, aversão a determinados sons, preocupação exagerada com coisas consideradas insignificantes e falta de empatia. O transtorno atinge de forma diferenciada cada autista, que tem níveis distintos de comprometimento — leve, moderado ou grave — e por isso precisa de atendimento diferenciado.

No Distrito Federal o Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB) promove ações que visam à melhoria da qualidade de vida da Pessoa com Autismo e seus familiares, como o Prêmio Orgulho Autista, que homenageia anualmente pessoas e instituição que contribuem para a causa, passeatas e cartilhas informativas, o Desabafo Autista e Asperger – reuniões interativas para familiares, assim como palestras e cursos, além de intensa participação política pelos direitos das pessoas com autismo, principalmente no DF e Entorno, mas com representantes em quase todos os Estados e sede em Brasília/DF.

A produtora de eventos da MOAB, Adriana Alves, explicou como funciona o movimento. “O MOAB foi criado em 2005 pelos familiares de autistas e o movimento tem como objetivo mistificar o transtorno e conscientizar socialmente as pessoas. O nome surgiu de uma derivação do movimento nos EUA e no Brasil adotou o Movimento Orgulho Autista para que os pais sintam orgulho de seus filhos, como um gesto de respeito. O movimento sempre vem acompanhando os projetos de leis que são tramitados no Congresso para que as famílias tenham acesso aos seus direitos.”, comentou. As leis que já foram aprovadas são: a Lei 12.764/2012 (Lei Federal Berenice Piana), lei essa que protege os direitos das pessoas com autismo e a Lei Distrital 4.568/2011 (Lei Distrital Fernando Cotta), que institui a obrigatoriedade do poder executivo proporcionar tratamento especializado, educação e assistência específicas a todos os autistas, independente da idade.

Infelizmente no Brasil ainda não há pesquisas oficiais sobre o assunto, mas já é de conhecimento que o autismo é mais comum que o diabetes, câncer e AIDS juntos. “Autismo não é uma doença, porém o diagnóstico tardio dificulta o seu acompanhamento, a pessoa autista tem grandes problemas com a comunicação, mas cada organismo age de uma forma diferente, com níveis que vão do leve, moderado e alto. Tenho um filho de 17 anos que possui o autismo e eu o estímulo desde pequeno, todo o seu comportamento precisa ser trabalhado. O ideal seria ter um local específico só para eles. Vai haver momentos em que ele não conseguirá amarar o cadarço do tênis, mas vai conseguir desmontar e montar um computador muito bem. A pessoa autista vê o mundo de uma maneira particular. Para mim é uma missão que Deus colocou em minha vida, sou voluntária com prazer”, declarou.

A maior dificuldade é com o processo de tratamento, hoje eles são atendidos nos CAPS e junto com eles há dependentes químicos e demais pacientes que necessitam de ajuda psicológica. Mesmo assim precisam de atendimento diferenciado com terapias, atendimento psicológico e demais atividades voltadas somente para eles.

Foto Divulgação

Uma boa dica de filme para os pais que estão aprendendo a lidar com um filho (a) autista é o longa Um Elo de Amor que mostra a vida de um jovem autista. Jimmy é um adolescente que enxerga o mundo com um coração puro. Autista, ele nem sempre entende o que vê ou ouve. Entretanto, possui uma memória fantástica da qual seu pai se utiliza, para livrar um cliente da prisão, o que desencadeia drásticas consequências. A ingenuidade do menino o coloca em grandes apuros, mas o incentivo do avô e o afeto da madrasta abrem um caminho de esperança para Jimmy. Apesar de vencer diversos traumas, ele fica aflito ao se deparar com seu maior medo.

A Presidência e a Segunda Secretaria da Câmara dos Deputados elaboraram a cartilha "Campanha Nacional de Conscientização do Autismo", com o objetivo de orientar famílias de todo o País a identificar sinais de autismo e de sensibilizar a sociedade sobre a importância do respeito à diversidade.

A cartilha foi apresentada na primeira edição do programa "Câmara Itinerante", realizada no dia 20 de março, desde ano em Curitiba.

Clique no link e acesse a cartilha: http://goo.gl/pHL67p


Flavia Ferrer

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